A Sé integra a malha de leilão de imóveis no Centro de São Paulo e é o núcleo fundacional da cidade — o marco zero, em torno da Praça da Sé e da Catedral Metropolitana, do Pátio do Colégio e do Triângulo Histórico formado pelas Ruas Direita, XV de Novembro e São Bento. É um centro denso, vertical e de uso predominantemente comercial, com a melhor conexão de transporte da cidade na estação Sé, das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô, o que mantém o leilão de imóveis aquecido.
Para o investidor, a centralidade fundacional e o peso histórico são os traços definidores: sustentam a recolocação na revenda e a locação, ainda que a situação jurídica do imóvel seja decisiva para a liquidez. Um imóvel adquirido por valor inferior ao da avaliação só se converte em vantagem efetiva quando reúne situação jurídica passível de regularização — análise conduzida sob a ótica do direito imobiliário antes de qualquer lance.
As oportunidades de leilão de imóveis na Sé vêm de dois fluxos distintos: as consolidações fiduciárias (Lei 9.514/1997), que acompanham a mancha de financiamento bancário dos últimos ciclos de lançamento, e as hastas judiciais — execuções de cotas condominiais, execuções fiscais de IPTU, execuções cíveis e alienações em inventário —, que acompanham a densidade e a idade do estoque vertical; no núcleo fundacional, de estoque antigo e adensado, predominam fortemente as hastas judiciais — de cotas condominiais, de IPTU e de inventário —, sendo raras as consolidações fiduciárias. Por isso, na Sé, mais do que em outros bairros, vem ao primeiro plano uma questão da própria hasta: a legitimidade para oferecer lance. A regra é ampla — pode arrematar quem está na livre administração de seus bens —, mas o Código de Processo Civil afasta certas pessoas, como o juiz, os servidores e auxiliares da justiça, os leiloeiros e os advogados das partes, em razão do vínculo com o bem ou com o juízo (art. 890). Cabe ao arrematante, ainda, assegurar a própria legitimidade e a regularidade da habilitação. Não por acaso essa questão encontra na Sé o seu cenário natural, entre o Fórum João Mendes Júnior e a tradição jurídica do Largo São Francisco — e verificá-la, ao lado da leitura do edital, é o que separa a aparência de oportunidade da oportunidade real.